A ida do meu Mentor
Fazem 10 dias que meu mentor de vida se foi: o meu Pai. Sem dúvida alguma, foi a maior perda da minha vida até então. Escrevo este texto mais para tentar…
Fazem 10 dias que meu mentor de vida se foi: o meu Pai. Sem dúvida alguma, foi a maior perda da minha vida até então. Escrevo este texto mais para tentar colocar em palavras o que se passa dentro de mim — de forma confusa e desordenada — e, quem sabe, trazer uma reflexão a todos que lerem. Uma perspectiva de quem viveu uma vida nada fácil, ao lado de uma pessoa incrível, que foi meu verdadeiro mentor de vida.
Chamo meu Pai de “mentor de vida” porque sou quem sou graças a ele e à minha Mãe. Entre erros e acertos, conseguiram criar dois filhos para o mundo. E mais do que com palavras, um mentor guia com atitudes. Foi assim que cresci: observando e aprendendo a ser uma pessoa íntegra, seguindo seus passos de vida.
O senhor Otávio tentou de tudo na vida. Quando nasci, ele já tinha uma carreira consolidada em um grande banco nacional. Depois disso, a vida deu algumas voltas, e ele começou a empreender. Foi dono de uma autopeças e, mais tarde, da sua própria empresa de vistoria de seguros, prestando serviços para grandes seguradoras do Brasil. Vivia viajando e trabalhava muito — conheceu boa parte do país, literalmente “do Oiapoque ao Chuí”.
Hoje estou no mundo da tecnologia graças a ele. Muitas pessoas nem imaginam como um computador funciona ou sequer têm acesso fácil a um. Eu tive o privilégio de ter um computador em casa e de poder “consertar” alguns, já que herdei dele esse jeito “Bob Construtor”: faz de tudo, arruma tudo e sabe um pouco de tudo. Esse contato precoce despertou em mim uma curiosidade enorme, que me trouxe até onde cheguei.
Guardo na memória nossos bons momentos juntos — consertando carros, eletrônicos, computadores — e vivendo uma vida de muito amor e respeito mútuo.
Os últimos anos não foram fáceis para o meu Pai. Ele passou por um AVC que afetou sua memória e o impediu de continuar trabalhando. Em alguns momentos, a lembrança lhe faltava, e tarefas simples — como usar o computador, que sempre fez parte da sua rotina — se tornaram difíceis.
Hoje, meu Pai descansa em paz, e eu perco um dos meus maiores alicerces emocionais e morais. Sinto um vazio que, honestamente, não sei como preencher. Não terei mais com quem compartilhar minhas notícias mais íntimas — minhas vitórias pessoais e profissionais, minhas conquistas, meus momentos felizes. E o que mais dói: não terei mais seu abraço e seu beijo no rosto ao chegar em sua casa com o meu filho, que ele tanto adorava ver.
Não sei como serão meus passos sem o meu mentor de vida, mas sei que ele está em algum lugar olhando por mim e pela minha família. E deixo aqui uma reflexão: às vezes, idealizamos pessoas famosas — especialmente nas redes sociais —, mas nossos verdadeiros heróis estão dentro de nossas casas. E quando se vão, levam junto uma parte do nosso coração.
Senhor Otávio, obrigado por ter sido o melhor Pai que eu poderia ter. Espero que um dia possamos nos encontrar novamente, para que eu possa sentir o seu abraço mais uma vez.
Obrigado por tudo.
A capacidade de criar, a liberdade de criar, a alegria de criar – isso não vem de graça. Isso exige que se cultive o seu talento, que se trabalhe intensamente e longamente para que ele floresça. Isso eu aprendi com o meu pai, sem que ele precisasse me dizer uma palavra. Bastou vê-lo conduzir a própria vida.“ (Chico Bosco)