Pulando em Granadas 💣
Numa guerra, quando uma granada cai no meio do grupo, tem quem foge, quem só observa e quem pula em cima dela. No mundo da tecnologia a cena se repete todo dia — e escolher ser quem pula é o que mais acelera uma carreira.
Já ouviu essa expressão antes? Se não, deixa eu ilustrar: imagine que você faz parte de uma tropa em guerra. Você foi destacado para liderar um grupo de soldados até a linha de frente e, no meio do confronto, o inimigo lança uma granada que cai bem no centro do seu grupo. Você é aquele que só olha? Aquele que foge? Ou aquele que pula em cima dela?
Essa cena de guerra é uma boa ilustração do que acontece todos os dias no mundo de tecnologia.
💣 As granadas do dia a dia
Granadas são lançadas o tempo todo: problema em produção, bug crítico, cliente reclamando, prazo estourado. E se você reparar bem, sempre que um tema crítico surge em algum fórum ou canal com um número razoável de pessoas, são sempre os mesmos que levantam a mão de forma proativa para resolver.
O grande ponto é: por quê?
🙋 “Isso não é problema meu”
Boa parte — ouso dizer a maior parte — enxerga as granadas como “isso não é problema meu”, “não faz parte do meu escopo”, “não pertence ao meu time”, e por aí vai.
As empresas hoje carecem de profissionais proativos, que olham para os problemas e os resolvem, independentemente da origem. Abro um parênteses aqui: excesso de proatividade também é ruim. Equilíbrio é necessário.
🔥 Duas reuniões, dois destinos
Numa reunião de status de um projeto importante, o time percebe que a integração com um parceiro externo está quebrada há dias — silenciosamente, sem ninguém notar — e isso vai atrasar um lançamento já comunicado à diretoria. O gerente pergunta: “quem consegue olhar isso ainda hoje?”. Silêncio. Alguém diz “isso é mais com o time de integração”, outro completa “estou no meio de uma entrega, não consigo agora”, um terceiro só balança a cabeça e escreve no chat “boa sorte”. A reunião termina sem dono para o problema.
Resultado: mais três dias se passam até alguém, pressionado de cima, finalmente assumir. O lançamento atrasa duas semanas, o parceiro externo perde confiança no time, e a diretoria passa a questionar publicamente a execução do projeto. A granada não sumiu por ninguém ter assumido — ela só continuou explodindo, um pouco mais forte, a cada dia que passava.
Agora um cenário diferente, mas parecido. Na reunião semanal de um outro time, alguém expõe que o job noturno que gera o relatório financeiro está falhando silenciosamente há dois dias — e ninguém sabe exatamente por quê, nem é claramente “dono” daquele pedaço do sistema. Antes que o silêncio se instale, uma pessoa do time diz: “eu nunca mexi nesse job, mas posso investigar hoje à tarde e trago retorno amanhã de manhã”.
Ela não era a responsável formal por aquele sistema. Mas passou a tarde entendendo o código, encontrou uma mudança recente de schema que tinha quebrado uma dependência, corrigiu e validou com o time financeiro antes do próximo ciclo. Resultado: o relatório voltou a sair no prazo, o time financeiro nem chegou a perceber que houve um problema, e essa pessoa passou a ser lembrada, em conversas futuras, como quem “resolve as coisas”. Meses depois, foi ela a indicada para liderar um projeto crítico entre times — justamente pela reputação construída naquele dia.
🎯 O que você ganha ao pular
Ser a pessoa que pula nas granadas, além do fator óbvio de resolver o problema, gera alguns impactos positivos: você é visto, é lembrado, aprende sobre outras áreas do negócio, pode ter contato com novas tecnologias, aprende mais regras de negócio e contribui de forma mais ampla. Em resumo: também é aprendizado.
🌱 Granadas fora do trabalho
Subindo um pouco o nível de visão — não olhando só para o trabalho, mas para a vida como um todo — há uma grande chance de você ser um resolvedor de problemas na vida pessoal se você é assim no trabalho, e vice-versa.
Mas dá para encarar as granadas não só como problemas: elas também podem ser iniciativas. Um curso à noite, aprender algo novo, uma graduação, pós-graduação, mestrado, especialização, certificação.
🧭 O aprendizado
Ficar parado, de uma maneira geral, faz sua carreira ficar parada também. Se isso é uma escolha consciente sua, ótimo. Se não é, vale rever — e pensar se você é a pessoa que pula em granadas.
Se você busca subir de nível na carreira, em vez de correr, comece a procurar granadas. Tanto no trabalho quanto fora dele.